Depois de ter perdido minha filha pela HDC, espantei-me com a quantidade de mulheres que conheci por todos os cantos do país. Elas passaram pelo mesmo problema, pelas mesmas angústicas, algumas histórias com finais felizes e muitas de finais desastrosos, como a minha.
Quando essas coisas acontecem, nos pegam de surpresa e nos maltratam... Buscamos incansavelmente um alguém que tenha passado por algo parecido para que possamos compartilhar a dor, nova e inevitável. Pensamentos, suposições e incertezas tomam conta das mães que não se cansam de imaginar como poderia ter sido diferente e perguntam-se inúmeras vezes o porque de terem sido escolhidas a passar por enorme tristeza. Aprendemos pela pior das formas que Deus não é justo, pois enquanto muitas mulheres desejam com grande fervor tornarem-se mães, outras tantas abandonam, ou matam seus filhos.
Há quem prefira o silêncio para viver a sua dor, inimaginávelmente ignorando-a como forma de fugir da realidade. Entramos num deserto após a perda de um filho e por lá, oras pensamos em ficar, oras em sair. Há neste lugar um misto de desejos incontroláveis com suas peculiaridades. Enquanto recriamos a nossa maneira de enfrentá-lo, diversas vozes que não queremos escutar surgem de todas as direções. Somos obrigadas a aceitar discursos pré prontos repletos de boas intenções, afinal não há muito o que se fazer quando as pessoas se deparam com uma mãe orfã de filho.
Obrigada a todas as mamães que compartilharam sua história, a todos os amigos e familiares e principalmente ao meu grande amor, Ricardo.